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MEDITAÇÃO
Nos Estabelecimentos Prisionais

 
São vários os problemas com que nos deparamos nos sistemas prisionais actuais e que tornam indispensável a existência de transformações efectivas e eficazes que permitam fazer face aos flagelos do actual paradigma da infracção/punição.

Desde a fragilidade e questionabilidade do próprio sistema e das premissas em que foi erguido, a aspectos mais práticos e de grande impacto social, verificam-se deficiências como a insuficiência dos cuidados de saúde prestados à população prisional, a sobrelotação e precaridade das condições materiais e de alojamento, que em grande parte dos estabelecimentos chegam a ser ofensivas dos mais básicos níveis de dignidade humana, a incapacidade de garantir aos reclusos uma ocupação digna durante o tempo de permanência na prisão, a própria eficácia do sistema de reinserção social, as deficiências graves ao nível da alimentação, segurança, formas de comunicação com o mundo exterior, convívio e tempos livres, assistência espiritual e a própria administração penitenciária.

Torna-se assim essencial encontrar formas hábeis de contribuir para a transformação gradual do actual sistema de forma a que ele se torne mais humano, justo e compassivo para com todos os intervenientes.

Elementar se torna também garantir o respeito pelos direitos fundamentais dos reclusos, acompanhá-los de forma efectiva proporcionando o espaço e o apoio necessários ao desenvolvimento de competências mentais e emocionais que lhes possibilitem ajustar-se de forma mais serena às condições de reclusão e, em simultâneo, encontrar novas perspectivas de vivência digna, íntegra, responsável, aberta e empática com o mundo, num ambiente normalmente pouco propício ao desenvolvimento de atitudes mentais positivas.

Acresce ainda a necessidade de dignificar as condições de vida dos reclusos, minimizar o impacto psicológico da sobrelotação dos estabelecimentos prisionais, procurar os instrumentos adequados à diminuição de consumo de estupefacientes, substâncias psicotrópicas e outras de uso ilícito e acompanhamento, tratamento e recuperação dos reclusos toxicodependentes ou portadores de doenças infecciosas virais graves, bem como o apoio aos ex-reclusos, nos primeiros tempos de liberdade ou aos reclusos em cumprimento de medidas de flexibilização da execução da pena.

Nas últimas décadas um número crescente de investigação na área tem oferecido forte evidência de que as práticas meditativas e contemplativas têm um impacto muito significativo nos cuidados de saúde física e mental, proporcionando níveis de bem-estar, alegria e felicidade profundos.

Estudos feitos sobre a aplicação de técnicas de meditação nas prisões demonstram claramente a importância que este instrumento tem na melhoria das condições de vida de toda a população prisional.

Estudos feitos sobre a aplicação de técnicas de meditação nas prisões demonstram claramente a importância que este instrumento tem na melhoria das condições de vida de toda a população prisional.

Benefícios como a criação ou aumento/reforço da sensação de bem-estar, melhoria da saúde e redução de problemas médicos como a hipertensão arterial, aumento da autoestima, diminuição da tendência depressiva, diminuição de problemas de adição a substâncias químicas, aumento da capacidade de gestão da cólera e redução significativa no comportamento impulsivo/agressivo, diminuição da conflituosidade e das infracções de regras e mudanças positivas muito significativas no comportamento global. A meditação proporciona, ainda, a intensificação do funcionamento pré-frontal promovendo o desenvolvimento de emoções ligadas à empatia, compaixão, benevolência e ética que desbloqueiam comportamentos de autoaceitação, tolerância, cooperação, respeito e inteligência emocional.

Observa-se, também, o aumento da flexibilidade e capacidade de adaptação e resiliência às pressões e stresse da vida em geral e, em particular, às encontradas no sistema prisional.

À medida que a prática meditativa entra na rotina do indivíduo e se intensifica, dá-se um desenvolvimento significativo da capacidade de retroversão da atenção, análise e compreensão dos processos mentais e emocionais, autoconsciência e aceitação da responsabilidade pela prática das acções. Esta consciência da responsabilidade pelos actos praticados e pelo impacto negativo da conduta aos mais diversos níveis é um factor crítico de sucesso nos programas de justiça reabilitativa/integrativa.

Nesse sentido e por saber que a meditação tem trazido resultados excelentes quando implementada em sistemas prisionais de todo o mundo, o Círculo do Entre-Ser está empenhado em levar esta prática contemplativa às prisões portuguesas, contribuindo assim para trazer as qualidades de presença, expansão da consciência, abertura, aceitação e tranquilidade a todos os intervenientes envolvidos.


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 Enquanto existir o espaço, enquanto aí existirem seres, possa eu também permanecer para dissipar todo o seu sofrimento. 

~ Shantideva

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